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Consentimento Informado: O Que o Médico Precisa Explicar e o Paciente Precisa Exigir

31 de jul.
7 min de leitura

Você já recebeu um documento para assinar antes de uma cirurgia, exame ou procedimento médico? Muitas pessoas acreditam que esse papel serve apenas para proteger o médico ou o hospital.


Na realidade, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido é um importante instrumento de proteção ao paciente.


O consentimento informado representa o direito de toda pessoa participar ativamente das decisões relacionadas à própria saúde. Mais do que uma simples assinatura, ele exige diálogo, compreensão e liberdade de escolha.


Este direito é garantido pelo Estatuto dos Direitos do Paciente de 2022 (Lei nº 14.238/2021) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).


Neste artigo, você entenderá o que é o consentimento informado, quais informações o médico tem obrigação de fornecer e quais direitos o paciente deve exigir antes de concordar com qualquer procedimento, com fontes oficiais para cada informação.


📜 O Que é o Consentimento Informado?


O consentimento informado é o processo pelo qual o paciente recebe informações claras e suficientes sobre um tratamento, exame ou procedimento médico e, após compreender essas informações, decide livremente se deseja realizá-lo.


Conforme o Estatuto dos Direitos do Paciente (Lei nº 15.378/2026):


  • O consentimento informado é a manifestação livre e consciente do paciente, após receber informações claras, acessíveis e completas sobre:


    • Diagnóstico

    • Prognóstico

    • Riscos e benefícios do tratamento

    • Alternativas disponíveis

    • Possíveis efeitos adversos



📌 Princípio Fundamental

O princípio é simples: ninguém deve ser submetido a um procedimento médico sem compreender o que será feito e sem concordar de forma consciente.


São pressupostos de validade do consentimento informado:


  • Capacidade do paciente

  • Informação completa e clara

  • Consentimento livre ou esclarecimento


🔍 O Que o Médico Precisa Explicar?


Antes de solicitar a assinatura do termo, o médico deve fornecer informações adequadas e compatíveis com o nível de compreensão do paciente.


Conforme o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018): o médico deve prestar informações claras, completas e adequadas ao paciente, bem como obter seu consentimento prévio para intervenções diagnósticas ou terapêuticas.

Importante: A informação deve ser repassada de acordo com o grau de conhecimento do paciente, ou seja, de forma clara e singela.

Entre os principais pontos que devem ser esclarecidos estão:


1️⃣ O Diagnóstico Ou a Hipótese Diagnóstica


O paciente tem o direito de saber:

  • Qual doença ou condição está sendo investigada

  • Quais são as suspeitas médicas

  • Por que determinado procedimento foi indicado


Sem entender o problema de saúde, torna-se impossível tomar uma decisão consciente.


2️⃣ O Objetivo do Procedimento


O médico deve explicar claramente:

  • O que será feito

  • Qual o objetivo do exame ou tratamento

  • Quais benefícios são esperados


O paciente precisa compreender a finalidade da intervenção proposta.


3️⃣ Como o Procedimento Será Realizado


É importante que sejam esclarecidos aspectos como:

  • Tipo de anestesia

  • Duração prevista

  • Local de realização

  • Necessidade de internação

  • Cuidados antes e depois do procedimento


Quanto mais informações o paciente possuir, menor tende a ser a ansiedade relacionada ao tratamento.


4️⃣ Os Riscos e Complicações Possíveis


Nenhum procedimento é totalmente isento de riscos.

Por isso, o médico deve informar:

  • Complicações mais frequentes

  • Complicações graves, ainda que raras

  • Possíveis efeitos colaterais

  • Limitações do tratamento


O médico deve informar todos os riscos, benefícios ou alternativas decorrentes do tratamento cirúrgico ou terapêutico que o paciente será submetido.


O objetivo não é assustar o paciente, mas permitir uma decisão consciente.


5️⃣ As Alternativas Existentes


O paciente também deve ser informado sobre:


  • Outros tratamentos disponíveis

  • Métodos menos invasivos

  • Opções conservadoras

  • Possibilidade de acompanhamento sem intervenção imediata, quando aplicável


Conhecer as alternativas é parte essencial da autonomia do paciente.


6️⃣ O que Pode Acontecer se o Procedimento Não For Realizado


Além dos benefícios e riscos do tratamento, o médico deve explicar as possíveis consequências da recusa.


Exemplos:


  • Progressão da doença

  • Agravamento dos sintomas

  • Redução das chances de cura

  • Necessidade de tratamentos mais complexos no futuro


As autoridades éticas e legais geralmente concordam que os profissionais de saúde devem assegurar, no mínimo, que o paciente entenda:


  • Seu estado médico atual, incluindo a evolução provável caso não se faça o tratamento

  • Tratamentos potencialmente benéficos, incluindo a descrição e explicação dos possíveis malefícios, benefícios e ônus de cada tratamento

  • Em geral, a opinião do médico sobre a melhor alternativa

  • As incertezas associadas a cada um desses elementos também devem ser discutidas

Importante: Isso significa que o esclarecimento deve ser contínuo, com reavaliações sempre que houver mudança na conduta clínica, novos riscos identificados ou recusa parcial do paciente.

🚨 O Que o Paciente Deve Exigir?

O paciente não deve sentir vergonha ou receio de fazer perguntas.

Antes de assinar qualquer documento, é recomendável exigir respostas claras para questões como:

Pergunta

Motivo

Por que este procedimento é necessário?

Entender necessidade

Quais são os riscos reais no meu caso?

Conhecer riscos específicos

Existem alternativas?

Autonomia do paciente

O que acontece se eu não fizer?

Consequências da recusa

Qual a chance de sucesso?

Prognóstico esperado

Quanto tempo será a recuperação?

Cuidados pós-procedimento

Quem realizará o procedimento?

Quem executará

Quando poderei retornar às minhas atividades?

Tempo de retorno

Se alguma resposta não for compreendida, o paciente tem o direito de pedir novos esclarecimentos.

O paciente tem direito ao consentimento sem coerção ou influência indevida.

🚨 Direito não Perdido


Uma dúvida muito comum é: "Se eu assinei o termo, perdi meus direitos?"


A resposta é não.


A assinatura do documento não substitui o dever de informação do médico . A essência do consentimento informado está na comunicação: exige que o médico explique, de forma compreensível, os objetivos do procedimento, os riscos envolvidos, as alternativas terapêuticas existentes, as consequências da não realização e os potenciais efeitos colaterais.


Se o paciente assinou sem receber explicações adequadas, sem oportunidade para esclarecer dúvidas ou sob pressão, o consentimento pode ser considerado inválido.


O documento é apenas uma parte do processo. O mais importante é a efetiva compreensão das informações.

Importante: A formalização por escrito, embora recomendável, não substitui o dever de informação verbal.

🛡️Ônus da Prova

O ônus da prova comprovando a obtenção do consentimento é do médico (Código de Defesa do Consumidor, art. 6º, VIII), cabendo ao paciente apenas a prova da existência de algum vício de consentimento.


A simples falta do consentimento informado gera a responsabilidade do médico, mesmo em caso fortuito ou força maior, vez que assumiu o risco.


Mesmo com a obtenção do consentimento, o médico responderá quando agir com culpa.


Posso Mudar de Ideia Depois de Assinar? (Direito de Revogação)


O consentimento pode ser revogado a qualquer momento antes da realização do procedimento [artigo original]. Isso significa que o paciente pode desistir mesmo após ter assinado o termo, desde que possua capacidade para tomar suas próprias decisões e que não exista situação de emergência que coloque sua vida em risco.


O consentimento pode ser anulado a qualquer tempo, assim como ser partial consented (parcial).


A autonomia do paciente é um dos pilares da relação médico-paciente.


Os pacientes também têm o direito de recusar o tratamento. Apesar de os profissionais de saúde terem obrigação ética de fornecer informação suficiente e estimular decisões de acordo com o melhor interesse do paciente, os pacientes têm o direito de recusar o tratamento.


📜 Quando o Consentimento Pode Ser Dispensado?(Exceções Legais)

Existem situações excepcionais em que o consentimento prévio não é possível [artigo original]. Isso ocorre principalmente em:


  • Emergências médicas

  • Risco iminente de morte

  • Pacientes inconscientes sem representante disponível

  • Situações em que a demora para obter autorização possa causar grave prejuízo à saúde


Conforme art. 14 do Estatuto do Paciente:


  • O consentimento é a regra em qualquer procedimento

  • A única exceção ocorre em risco iminente de morte com paciente inconsciente


Nesses casos, a intervenção médica pode ser realizada para preservar a vida e a integridade do paciente.


Sua obtenção é obrigatória, salvo nos casos de privilégio terapêutico, tratamento compulsório e renúncia ao direito à informação.


Para os tratamentos de emergência, presume-se normalmente o consentimento.

O médico estará isento de responsabilidade pela ausência do consentimento apenas nos casos excepcionais.


📌O Consentimento Informado Protege Apenas o Médico?


Esse é um dos maiores equívocos sobre o tema.


O consentimento informado protege principalmente o paciente, pois garante:


  • Direito à informação

  • Participação nas decisões sobre sua saúde

  • Respeito à autonomia individual

  • Transparência na relação com os profissionais de saúde


Ao mesmo tempo, também oferece segurança jurídica ao médico ao demonstrar que as informações necessárias foram fornecidas adequadamente.


O termo de consentimento informado é um documento que possibilita ao paciente a manifestação expressa de sua vontade em consentir com a realização de determinado procedimento, após esclarecimento prestado pelo médico, assegurando-lhe o direito de decisão quanto ao tratamento proposto pelo profissional responsável.]



🔍Quem Pode Assinar o Termo Caso o Paciente Esteja Incapacitado


De acordo com a legislação brasileira e as fontes consultadas, quando o paciente está incapacitado, o representante legal deve assinar o termo de consentimento informado.


Tipo de incapacitação

Quem assina

Menores de 18 anos

Pai, mãe ou responsável legal com guarda judicial

Portador de doença física ou mental que comprometa o entendimento

Familiar responsável (pai, mãe) ou responsável legal

Pessoa inconsciente

Familiar responsável ou responsável legal

Severamente debilitada

Familiar responsável ou responsável legal

Civilmente incapaz (adulto interdicto)

Tutor, curador ou administrador provisório



  • Deve apresentar documento de identificação com foto

  • No caso de administrador provisório: deve apresentar Termo de Responsabilidade e Termo de Compromisso

  • Se já possuir termo provisório ou definitivo expedido por decisão judicial: deve apresentar cópia acompanhada do original


Importante:


  • Terceiros só devem assinar se for o caso do paciente ter um representante legal estabelecido, como no caso de pacientes sem capacidade para decidir, ou menores de idade.

  • Se o paciente não tem efetivamente capacidade de decidir, pelo seu estado de saúde, isso deve constar no prontuário, e medidas judiciais de interdição devem ser tomadas.

  • É necessário tomar muito cuidado com o ato de assinar o termo de consentimento, para que se priorize sempre a assinatura do paciente.


📌 Representante Indicado Pelo Paciente:


O paciente tem o direito de indicar livremente um representante em qualquer momento de seus cuidados em saúde, por meio de registro em documento. Este representante indicado poderá assinar o termo se o paciente se tornar incapacitado.


🚨Sinais de Alerta: Quando Desconfiar

O paciente deve redobrar a atenção quando:


  • Receber um termo para assinar sem explicações prévias

  • For pressionado a assinar rapidamente

  • Não tiver oportunidade de fazer perguntas

  • Receber informações contraditórias

  • O documento estiver incompleto ou em linguagem excessivamente técnica


Nessas situações, é recomendável solicitar esclarecimentos adicionais antes de concordar com o procedimento.



📜 Fontes Oficiais Utilizadas

Legislação Federal

  1. Lei nº 14.238/2021 (Estatuto dos Direitos do Paciente) — Direitos fundamentais do paciente

  2. Lei nº 15.378/2026 (Estatuto dos Direitos do Paciente - atualização) — Consolidação do consentimento informado

  3. Lei nº 13.787/2018 — Base legal do consentimento informado [artigo original]

  4. Código de Defesa do Consumidor (art. 6º, VIII) — Ônus da prova do médico

  5. Constituição Federal — Direito à saúde e autonomia [artigo original]

Órgãos Reguladores

  1. CFM (Conselho Federal de Medicina) — Resolução CFM nº 2.217/2018 (Código de Ética Médica)

 
 
 

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