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Sigilo Médico: O Que é, Quando Pode Ser Quebrado e Quais São Seus Direitos

  • Foto do escritor: Ygor José
    Ygor José
  • 17 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 22 de dez. de 2025

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O sigilo médico é um dos pilares da relação entre médico e paciente. Ele protege a privacidade das informações de saúde e garante que o paciente possa falar abertamente com o profissional sem medo de exposição. Mas, em alguns casos específicos, esse sigilo pode — e deve — ser quebrado. Entenda seus direitos e os limites dessa regra.



O Que É Sigilo Médico?


Sigilo médico é a obrigação legal e ética de manter em segredo tudo o que o médico souber sobre o paciente durante o atendimento — incluindo diagnósticos, exames, tratamentos, histórico familiar e até informações reveladas em conversa.


Ele está previsto:


  • No Código de Ética Médica;

  • No Código Penal Brasileiro (art. 154);

  • E na Constituição Federal, como parte do direito à intimidade e privacidade.



⚖️ Quando o Sigilo Pode Ser Quebrado?

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Em geral, somente o paciente pode autorizar o compartilhamento de suas informações médicas. No entanto, a quebra do sigilo pode ocorrer sem autorização em algumas situações específicas previstas em lei ou ética médica:


1. Com consentimento do paciente


O sigilo pode ser quebrado se o próprio paciente autorizar, por escrito, o envio das informações a outro profissional, plano de saúde ou familiar.


2. Por dever legal


O médico é obrigado a quebrar o sigilo em casos como:


  • Notificação de doenças de notificação compulsória (ex: COVID-19, tuberculose);

  • Suspeita de violência doméstica, abuso sexual ou maus-tratos;

  • Situações que representem risco coletivo à saúde pública;

  • Casos determinados por ordem judicial.


3. Para proteger terceiros ou o próprio paciente


O médico pode quebrar o sigilo se:


  • O paciente estiver em risco de suicídio ou atentado contra a vida;

  • Houver risco de transmissão de doenças graves a terceiros (ex: HIV em parceiro não informado);

  • O paciente oferecer risco à sociedade (casos psiquiátricos graves, por exemplo).

Nesse caso, o profissional deve tentar preservar ao máximo a confidencialidade e comunicar apenas a quem for necessário.


4. Em processos judiciais


O médico pode ser convocado a prestar informações em juízo, mas só deve revelar dados com autorização do paciente ou por ordem expressa do juiz.



Quando a Quebra é Irregular (e Causa Danos)

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Exemplos de quebra indevida do sigilo:


  • Médico comenta o caso do paciente com outros profissionais não envolvidos;

  • Exposição de dados em redes sociais ou em grupos de WhatsApp;

  • Envio de informações ao plano de saúde sem consentimento;

  • Recepcionistas ou terceiros lendo e divulgando o prontuário.

🔒 Lembre-se: não só o médico, mas qualquer profissional da equipe de saúde (enfermeiros, atendentes, psicólogos) também está sujeito ao sigilo.

🛡️ Quais São Seus Direitos Se o Sigilo For Quebrado?


Se houver violação do sigilo médico sem justificativa legal ou ética, o paciente pode:


1. Fazer denúncia ao CRM (Conselho Regional de Medicina)


O profissional pode ser advertido, suspenso ou até ter seu registro cassado por infração ética.


2. Entrar com processo judicial


É possível pedir:


  • Indenização por danos morais, caso a quebra tenha causado constrangimento, perda de emprego, conflitos familiares etc.;

  • Medidas urgentes para retirada de publicações ou retratação.


3. Processar por danos morais


  • Valores médios de indenização: R$ 5.000 a R$ 100.000+ (dependendo do dano).

  • Provas necessárias: Prints, e-mails, testemunhas.


4. Denunciar ao Ministério Público


Se a quebra de sigilo representar crime ou violar direitos coletivos, o MP pode agir.


📌 Dica: Como se Proteger

  • Peça que tudo seja registrado em prontuário (inclusive autorizações);

  • Evite enviar informações médicas sensíveis por meios não seguros;

  • Guarde cópias de e-mails, mensagens ou documentos trocados com o médico ou clínica.


✅Conclusão

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O sigilo médico é um direito fundamental do paciente, alicerçado na Constituição Federal, no Código Penal e no Código de Ética Médica. Embora existam situações legais em que pode ser quebrado — principalmente para proteger vidas e cumprir deveres legais — a violação indevida do sigilo constitui crime passível de punição criminal, ética e cível.


O paciente que sofre violação de sigilo médico possui instrumentos legais eficazes para proteger seus direitos, incluindo denúncias aos órgãos reguladores, ações judiciais e indenizações por danos morais. Conhecer esses direitos e exercê-los é fundamental para manter a integridade da relação médico-paciente e a confiança nas instituições de saúde.




Fontes Utilizadas


📘 Conselhos e Entidades Médicas
  • Associação Paulista de Medicina. Sigilo médico e suas implicações éticas e legais.

  • Conselho Federal de Medicina (CFM). Erro médico e sigilo profissional.

  • Conselho Regional de Medicina. Código de Ética Médica.

  • Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina. CFM reafirma a importância do sigilo do prontuário médico.

🏛️ Órgãos Oficiais e Políticas Públicas
  • Ministério da Saúde (Brasil). Notificação compulsória.

  • Childhood Brasil. Notificar violência doméstica e sexual em hospitais e escolas agora é obrigatório.

🎓 Instituições de Ensino e Produção Científica
  • Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Sigilo médico: seis perguntas e respostas sobre as bases legais.

  • SciELO. O direito-dever de sigilo na proteção ao paciente.

📄 Conteúdos Educacionais e Jurídicos
  • SL Mandic. Ética médica: sigilo profissional.

  • EditoraOBA Digital. Desvendando o sigilo terapêutico: implicações jurídicas e éticas.


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