Indenizações: Quais Erros Médicos Dão Direito a Indenização?
- 17 de nov. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 8 de fev.

Quando um erro médico causa dano físico, psicológico ou financeiro ao paciente, é possível buscar indenização por meio de ação judicial. Nem todo resultado ruim significa erro, mas alguns tipos de falha configuram negligência, imprudência ou imperícia — e, nesses casos, o paciente pode ser compensado.
⚖️ O que Caracteriza Erro Médico Indenizável?
Segundo a legislação e a jurisprudência brasileiras, erros que podem gerar direito à indenização incluem:
✅ 1. Diagnóstico Incorreto ou Tardio
Quando o médico deixa de solicitar exames essenciais ou interpreta mal os resultados, resultando em atraso no tratamento ou agravamento do quadro.
📌 Exemplo: câncer que poderia ter sido detectado em fase inicial, mas foi negligenciado.
✅ 2. Cirurgia Mal Executada
Falhas técnicas ou desatenção durante o procedimento que causem sequelas evitáveis, perda de função, dor crônica ou necessidade de novas cirurgias.
📌 Exemplo: esquecimento de instrumento cirúrgico dentro do paciente.
✅ 3. Medicação Errada
Prescrição de remédio incorreto ou em dosagem inadequada, principalmente quando leva a reações adversas graves ou intoxicação.
📌 Exemplo: paciente alérgico recebe medicação sem que a alergia tenha sido considerada.
✅ 4. Omissão de Socorro ou Atendimento Negligente
Atraso injustificável em atendimento de emergência ou recusa indevida de assistência.
📌 Exemplo: hospital que nega atendimento a gestante com complicações em trabalho de parto.
✅ 5. Falta de Consentimento Informado
Quando o médico realiza procedimento sem explicar claramente os riscos, alternativas e consequências — e o paciente não teve a chance de decidir com base em informações completas.
📌 Exemplo: cirurgia feita sem que o paciente tenha assinado termo de consentimento.
✅ 6. Registro Falso ou Ausente no Prontuário
Ausência ou manipulação de informações no prontuário médico que dificultem a defesa do paciente ou encubram erros.
📌 Exemplo: prontuário "editado" para omitir um erro ou ausência de anotações de intercorrências.
✅ 7. Infecção Hospitalar
Contaminação por agente infeccioso adquirida após internação hospitalar, manifestada durante ou após a alta, relacionada à falha em protocolos de higiene e esterilização.
📌 Exemplo: Uso de material não esterilizado adequadamente:
Falta de higiene das mãos por profissionais (medida mais básica e eficaz)
Limpeza inadequada de ambientes hospitalares
Falha na gestão de resíduos biológicos
Negligência na aplicação de medidas de isolamento e precaução
💡 Importante Saber:
Segundo a legislação e jurisprudência brasileiras, para que um erro médico gere direito à indenização, devem estar presentes quatro elementos fundamentais:
Conduta culposa: Ação ou omissão do profissional ou instituição
Dano comprovado: Prejuízo efetivo à esfera patrimonial, física ou moral do paciente
Nexo causal: Relação direta entre a conduta e o dano experimentado
Culpa: Demonstração de negligência, imprudência ou imperícia
O médico ou hospital podem ser responsabilizados civilmente (indenização), eticamente (pelo CRM) e, em alguns casos, criminalmente (ex: homicídio culposo).
💰 Tipos de Indenização Possíveis:
Danos morais: sofrimento físico ou emocional causado pelo erro;
Danos materiais: custos com tratamentos, remédios, transporte, perda de renda, etc.;
Dano estético: deformações ou cicatrizes visíveis;
Lucros cessantes: quando o paciente deixa de trabalhar ou perde renda futura.
Tipos de Erros que Geram Indenização
Tipo de Erro | O que é? | Exemplos Comuns |
Imperícia | Falta de habilidade técnica | Cirurgião que erra na técnica operatória, causando lesões |
Negligência | Falta de atenção ou cuidado mínimo | Esquecer instrumento cirúrgico no paciente |
Imprudência | Agir com risco desnecessário | Fazer procedimento sem exames prévios |
Diagnóstico Errado | Erro na identificação da doença | Confundir apendicite com cólica e atrasar tratamento |
Falta de Informação | Não explicar riscos do procedimento | Não avisar sobre chance de paralisia em cirurgia de coluna |
Infecção Hospitalar | Contaminação por falha em protocolos | Uso de material não esterilizado |
Erro em Receituário | Prescrição incorreta de medicamentos | Receitar remédio com substância que causa alergia (sem perguntar) |
Valores de Indenizações (Média no Brasil)
(Valores atualizados em 2025)
Tipo de Dano | Faixa de Indenização |
Moral | R$ 5.000 a R$ 200.000+ (depende da gravidade e repercussão) |
Material | Reembolso de gastos com tratamentos + perda de renda |
Estético | R$ 10.000 a R$ 500.000 (para cicatrizes graves ou mutilações) |
Morte | R$ 100.000 a R$ 1.000.000+ (inclui pensão para familiares) |
Como Provar o Erro Médico

Prontuário médico completo (solicite via modelo de carta)
Laudos de exames antes/depois (comprovando piora)
Fotos ou vídeos (de feridas, condições físicas)
Depoimentos de testemunhas (outros médicos, enfermeiros)
Provas de gastos extras (tratamentos corretivos, fisioterapia)
Dica crucial:
Perícia médica judicial é decisiva – peça ao seu advogado para requerer.
🔍 O que NÃO é Considerado Erro Médico

🚫 1. Complicações previstas e avisadas
Se o médico informa previamente que um procedimento pode ter determinados riscos ou efeitos colaterais — e isso ocorre dentro do esperado — não há erro, mas sim uma consequência natural e informada do tratamento.
📌 Exemplo: uma cirurgia de coluna que causa dor temporária ou limitações motoras previstas no termo de consentimento.
🚫 2. Falha do tratamento mesmo com conduta correta
Nem todos os pacientes reagem da mesma forma aos tratamentos. Às vezes, mesmo com medicação adequada ou cirurgia bem executada, o resultado não é o esperado. Isso faz parte da incerteza médica e não caracteriza falha profissional.
📌 Exemplo: um antibiótico que não cura a infecção porque a bactéria é resistente, apesar da escolha ter sido tecnicamente adequada.
🚫 3. Diagnóstico difícil ou atípico
Em alguns casos, os sintomas são vagos, incomuns ou semelhantes a outras doenças. Nesses cenários, o diagnóstico pode demorar sem que haja culpa do médico, especialmente se ele seguiu os protocolos clínicos vigentes.
📌 Exemplo: confundir dengue com virose nos primeiros dias — quando os sintomas são quase idênticos.
🚫 4. Problemas causados por automedicação ou descumprimento de orientações
Se o paciente não segue corretamente as recomendações ou toma medicamentos por conta própria, os resultados negativos não podem ser atribuídos ao médico, salvo se houver falha na comunicação ou falta de registro no prontuário.
📌 Exemplo: paciente que não retorna para reavaliação e interrompe o uso de remédio por conta própria.
🚫 5. Reações individuais ou imprevisíveis
Cada corpo responde de forma diferente a medicamentos, anestesias, próteses e cirurgias. Algumas reações são raras e impossíveis de prever, mesmo com todos os cuidados.
📌 Exemplo: reação alérgica grave a um anestésico, sem histórico anterior.
✅ Conclusão
O direito à indenização por erro médico existe e é garantido pelo ordenamento jurídico brasileiro, mas requer comprovação rigorosa de culpa profissional (negligência, imprudência ou imperícia), dano efetivo e nexo causal direto entre a conduta e o prejuízo. A documentação completa, perícia técnica adequada e ação rápida dentro do prazo prescricional de 5 anos são fundamentais para o sucesso da reivindicação.
Pacientes que se veem vítimas de erro médico não devem hesitar em buscar seus direitos, mas devem fazê-lo com orientação jurídica especializada e compreensão realista dos requisitos legais necessários à responsabilização profissional.








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